Você já tentou calcular a integral dessa função? Parece inofensiva, não é mesmo? Porém, ao tentar os métodos comuns de abordagem, seja substituição e integração por partes (já que os outros não fazem sentido aqui), não conseguimos sair do lugar, e parece que não é possível calcular. Estranho não?
A verdade é que realmente a função {e}^{x^2} não é elementar. Em outras palavras, não existe função que sua derivada seja igual a {e}^{x^2}. Isso resulta então em uma integral não transcendental, ou seja, a função integranda não possui antiderivada.
Mas, não é o fim. Usando-se de séries de potências, é totalmente possível calcular essa integral e aproximá-la se for uma integral definida.
A série de Maclaurin para uma função f(x) é definida como: (onde f^{n}\left(x\right) representa a derivada de ordem n da função f(x)): f(x)=\sum _{ n=0 }^{ \infty }{ \frac { f^{ n }\left( x \right) }{ n! } }
Se a função f(x)={e}^{x}, então, é possível notar que a representação em série para f(x) será dada por (a derivação é deixada como atividade para o leitor) { e }^{ x }=\sum _{ n=0 }^{ \infty }{ \frac { { x }^{ n } }{ n! } } =1+x+\frac { x² }{ 2! } +\frac { x³ }{ 3! } +...
Sendo assim, é possível ver que a expansão em série para a função {e}^{x^2} fica { e }^{ x² }=\sum _{ n=0 }^{ \infty }{ \frac { { x }^{ 2n } }{ n! } } =1+x²+\frac { x³ }{ 2! } +\frac { { x }^{ 4 } }{ 3! } +...
Utilizando a integral inicial e a representação da função desenvolvida até agora, podemos escrever, então, a seguinte expressão: \int { { e }^{ x² }dx } =\int { \sum _{ n=0 }^{ \infty }{ \frac { { x }^{ 2n } }{ n! } } dx }
Usando a propriedade da linearidade para as integrais, podemos integrar a série de potências como se fosse uma soma infinita de integrais, o que resulta em \int { \sum _{ n=0 }^{ \infty }{ \frac { { x }^{ 2n } }{ n! } } dx }=\sum _{ n=0 }^{ \infty }{ \int { \frac { { x }^{ 2n } }{ n! } dx } }
Realizando a integração do polinômio, temos, então \sum _{ n=0 }^{ \infty }{ \int { \frac { { x }^{ 2n } }{ n! } dx } } =\quad C+\sum _{ n=0 }^{ \infty }{ \frac { { x }^{ (2n+1) } }{ (2n+1)n! } } =C+x+\frac { x³ }{ 3\cdot 1! } +\frac { { x }^{ 5 } }{ 5\cdot 2! } +...
onde C é uma constante qualquer, que por meios de facilidade podemos adotar como zero. Sendo assim, é possível afirmar que a nossa integral é então \int { { e }^{ x² }dx } =\quad \sum _{ n=0 }^{ \infty }{ \frac { { x }^{ (2n+1) } }{ (2n+1)n! } } =\quad x+\frac { x³ }{ 3\cdot 1! } +\frac { { x }^{ 5 } }{ 5\cdot 2! } +...
Se a integral for definida num intervalo (a,b), basta aplicar os extremos: \int_{ a }^{ b }{ { e }^{ x² }dx } =\quad { \left( \sum _{ n=0 }^{ \infty }{ \frac { { x }^{ (2n+1) } }{ (2n+1)n! } } \right) }_{ a }^{ b }=\quad { \left( x+\frac { x³ }{ 3\cdot 1! } +\frac { { x }^{ 5 } }{ 5\cdot 2! } +... \right) }_{ a }^{ b }
Como aproximação, você pode truncar os termos da série dependendo da precisão desejada. É interessante notar ainda que na série para a exponencial é possível estimar o valor de e. Se truncarmos até o termo de quinto grau, o valor resultante da série é de aproximadamente 2,718, o que concorda com o valor de e até a terceira casa decimal, já que o valor de e = 2,7182818284590452.
Essa mesma abordagem pode ser feita com funções semelhantes, como é o caso da função {e}^{-x^2}, que inclusive aparece em definições importante na matemática, como por exemplo na famosa integral gaussiana \int _{ -\infty }^{ +\infty }{ { e }^{ -x² }dx } \quad
Você é muito inteligente!!!
ResponderExcluir